sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

LPO - LAPA

Falar da Lapa, é falar do principal ponto de vida noturna de massa do Rio de Janeiro, e não há no Brasil, atualmente, quem não conheça este nome. Até mesmo no exterior o lugar já é bem conhecido, e está sendo muito procurado por turistas em busca de boa diversão. Ali tem para todos os gostos, onde coexistem bares de diversos estilos gastronômicos e musicais. A Lapa faz parte do Centro da cidade porém, devido à sua crescente importância cultural, foi elevado à. condição de sub-bairro, o que aumentou a sua importância e autonomia administrativa.

Praça dos Arcos da Lapa.

Agora vamos voltar no tempo e falar da história do bairro. Pode-se dizer que o seu povoamento iniciou-se no século 18 e, neste mesmo século, foram feitas duas obras da maior importância na cidade: os Arcos da Lapa e o Passeio Público. Os Arcos da Lapa, ou Aqueduto da Carioca, foi um aqueduto construído para levar a água do rio Carioca, que nasce no Corcovado e deságua na Praia do Flamengo, que era a principal fonte de abastecimento de água potável da cidade, cuja área urbanizada se resumia ao atual bairro do Centro.  As primeiras obras de colhimento das águas do rio começaram no início do século 17, mas só foram concluídas na segunda década do século 18, no governo do Vice-Rei Aires Saldanha.  A água era canalizada a partir do atual bairro de S. Tereza, transportada pelo aqueduto até o Largo da Ajuda (atual Cinelândia) e depois levada até o Largo de S, Antônio (atual Largo da Carioca). O primeiro aqueduto foi construído em madeira e, cerca de 20 anos depois, após vários danos à sua estrutura, foi feito o atual, de pedra e óleo de baleia revestido de cal, no governo do Vice-Rei Gomes Freire. No final do século 19, a cidade já possuía outras fontes de água, e então o aqueduto perdeu a sua função, mas tornou-se um caminho de bonde que faz até hoje a ligação do Centro até o bairro de S. Tereza. Embora esteja temporariamente desativado e em fase de restauração há mais de dois anos, o bondinho de S. Tereza, como a linha é conhecida, ainda é um importante meio de transporte para os moradores do bairro, mas também tornou-se muito procurada pelos turistas. Os Arcos da Lapa formam a principal obra arquitetônica do Brasil Colonial e do Império, possui 42 arcos, tem cerca de 270 metros de comprimento, e dezessete metros de altura.

                                                                            Fonte dos Jacarés

O Passeio Público, o primeiro parque público das Américas, foi construído também no século 18, nas imediações da Lapa, onde havia uma grande lagoa chamada de Boqueirão, a qual era fétida e transmitia muitas doenças. O então Vice-Rei D. Luís de Vasconcelos mandou que se fizesse um parque público no lugar.  Entregou a incumbência ao grande Mestre Valentim, autor de inúmeras obras pela cidade. A lagoa foi aterrada e o parque foi construído, inicialmente no estilo francês, mas no século 19, no reinado de D. Pedro II, foi reformado e mudou o seu estilo para o inglês, que permanece até hoje.

Quanto ao bairro, propriamente dito, a Lapa ficou conhecida como um lugar de vida noturna, com muitos cabarés e prostíbulos. Apesar de ter desenvolvido um bom comércio e possuir habitações de todas as classes, o bairro como local de boemia. A partir do final do século 19 essa vida noturna começou a aparecer, e o lugar tornou-se então o mais famoso da cidade para quem procurava este tipo de diversão. Mas podemos dizer que também na Lapa tocava-se boa música nos cabarés, e vários artistas começaram suas carreiras ou foram grandes freqüentadores do lugar. Até os anos 1930 era o ponto de encontro dos artistas, intelectuais, e políticos. O músico Pixinguinha começou sua carreira tocando em cabarés da Lapa. Noel Rosa, o poeta Manuel Bandeira, os pintores Di Cavalcanti e Cândido Portinari, o escritor Luís Martins e o grande ator, radialista, e compositor Mário Lago, são exemplos de grandes freqüentadores dali. Cândido Portinari morou por um tempo na Lapa quando voltou de Paris, na década de 1930. Por ter esta freqüência, o bairro também era chamado de “Montmatre Carioca”.  Um outro grande personagem da Lapa foi o malandro Madame Satã, que reinou por lá e era muito temido por sua habilidade de lutador de capoeira e no uso da navalha.

Mural pintado na Rua Teotônio Regadas com frequentadores famosos da Lapa; da esquerda para direita: João do Rio, Rosinha, Villa-Lobos,Noel Rosa, Manuel Bandeira, Portinari, Di Cavalcanti, e em cima Madame Satã.



Início da Rua da Lapa, igreja do sec. 18: Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro 

A partir dos anos 1950 a Lapa passou por um grande período de decadência e má conservação, com muita violência, que se estendeu até o início do século 21, quando então foi redescoberta. Neste período existiam poucos bares que atraíam cariocas e turistas: Carioca da Gema, Bar Brasil, Nova Capela, Cosmopolita, o Circo Voador, e outros poucos. A partir deste momento, a vida noturna foi aumentando, vários novos bares foram abertos, e a praça em frente aos Arcos foi transformada em local de vida noturna popular, com várias barracas de bebidas e comidas.

Não podemos nos esquecer de falar do Circo Voador. Isto começou no início dos anos 1980, por iniciativa do ator Perfeito Fortuna da companhia teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, à qual também pertenceram Regina Casé, Patrícia Travassos, Luis Fernando Guimarães, Evandro Mesquita. Inicialmente foi montada na praia do Arpoador em Ipanema uma lona de circo, e o objetivo era ter um lugar onde os artistas pudessem mostrar o seu trabalho a preços populares. Depois mudou-se para a Lapa, e hoje, apesar de existir mais a lona de circo, o lugar continua sendo um dos principais pontos de shows de música do Rio. Pode-se dizer que o Circo foi o principal berço do Rock Nacional dos anos 1980, e por ali passaram todos os conjuntos de Rock da época: Kid Abelha, Biquíni Cavadão, Barão Vermelho, Blitz, Paralamas do Sucesso, Titãs, Erasmo Carlos, Rita Lee, além de toda a galera da MPB.

Circo Voador.

Podemos citar um ponto turístico muito conhecido do bairro: a Escadaria Selaron, obra do artista plástico chileno Jorge Selaron. Fica na Rua Manoel Carneiro, que possui uma escadaria que dá acesso ao bairro de S. Tereza, e que foi totalmente azulejada pelo artista com azulejos verde, amarelo, e azuis, em homenagem à nossa bandeira, e azulejos vermelhos nas laterais, por ser a cor preferida de Jorge e também por ser a cor predominante da bandeira do Chile. Ao longo do tempo foram sendo adicionados azulejos trazidos pelos turistas, que o artista foi mesclando com os originais. Atualmente é um dos pontos mais procurados pelos turistas que visitam a cidade.

A Escadaria e o próprio artista Jorge Selaron.

Outro lugar interessante da Lapa é a Fundição Progresso, que originalmente era uma metalúrgica que fabricava fogões, cofres, e gradis para as janelas dos sobrados. Fechou nos anos 1970 e, quando ia ser demolida, houve um grande movimento da população local e de um grupo de artistas, e então foi  tombada e deu lugar a um grande local de espetáculos e gastronomia.

Fachada da Fundição Progresso. 

A revitalização do lugar também fez a Lapa tornar-se um bairro procurado pela classe média da cidade a fim de comprar imóveis para moradia. Nos últimos dez anos surgiram vários empreendimentos mobiliários no bairro. Atualmente muitos turistas procuram hospedagem no bairro, o que fez com que vários sobrados antigos se transformassem em Hostels.

Mas o negócio hoje na Lapa é mesmo a vida noturna, principalmente de quinta-feira a sábado. A seguir, vejam várias fotos da vida noturna mais famosa do Rio.

                                Mural decorado com um bar embaixo, atrás do Circo Voador.


Imagens: Google Imagens

Por: José Antônio Caldas
Guia de turismos na cidade do Rio de Janeiro
Contato: (21) 98869-6358
contato@loucosporoculos.com

Equipe LPO

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